sexta-feira, 9 de março de 2012

A que horas vens?


Reconstruo-te em verso para te roubar à ausência de novo. Como vício repetido, prostrado na impossibilidade de que me venhas do papel como vinhas da porta de casa: assim, do nada. Reinvento-me então artífice de mão calejada e gesto preciso entre limalha e pó, e mostro-te em placa de rua para que todos saibam que passei por aqui; não por ali. Nesta rua (a tua rua), encontram-se vincados os meus passos de um vai e vem que a chuva não dilui e a memoria não apaga. Mas a luz daquela janela já não recorta a tua silhueta ou no vidro escreves o nome do teu amor. Amanhã, vou ganhar a necessidade de voltar entre sombras e vielas. Espero que não me vejas.


©pedrosantosgomes

Sem comentários:

Enviar um comentário