Reconstruo-te
em verso para
te roubar à ausência de
novo. Como
vício repetido, prostrado na impossibilidade de que me venhas do papel como
vinhas da porta de casa: assim, do nada. Reinvento-me
então artífice de mão calejada e
gesto preciso entre limalha e pó, e
mostro-te em placa de rua para
que todos saibam que passei por aqui; não
por ali. Nesta
rua (a tua rua), encontram-se
vincados os meus passos de um
vai e vem que a chuva não dilui e a
memoria não apaga. Mas a
luz daquela janela já não
recorta a tua silhueta ou no
vidro escreves o nome do teu amor. Amanhã,
vou ganhar a necessidade de voltar entre
sombras e vielas. Espero
que não me vejas.
©pedrosantosgomes
©pedrosantosgomes
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